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A Importância dos Custos
Samuel Cogan Costuma-se questionar a ordem de prioridade das estratégias a serem adotadas na gestão empresarial, se a ênfase deveria estar nos custos ou na qualidade. A maioria em seus discursos diria que a prioridade é a qualidade, muito embora talvez não pratique exatamente o que diz. Especialistas contudo, dirão que maior qualidade significa menores custos. O tema é polêmico e pode apresentar diversos desdobramentos. Deming reafirmava o que as avós já diziam, “o barato sai caro”. Costumava recomendar, o renomado mestre, que “dever-se-ia cessar a prática de avaliar as transações apenas na base do preço” se na realidade o que se deseja é gastar menos. Outro mestre na área da qualidade, de não menor envergadura, Juran, faz a seguinte análise no que se refere ao relacionamento custo–qualidade: Se a ênfase são as características de satisfação do produto, então o efeito maior se dará nas vendas – nesse caso, normalmente qualidade mais alta custa mais. Se por outro lado a ênfase é a ausência de deficiências, o efeito maior se dará nos custos – nesse caso então, normalmente qualidade mais alta custa menos. Respeitando-se, portanto, as considerações acima, no que tange à qualidade dos produtos/serviços vê-se que no mundo onde prevalece moeda forte, o menor custo é a estratégia que manterá a empresa competitiva em seu mercado. O preço de venda não mais pode ser manuseado pela companhia, uma vez que ele, o preço, é uma conseqüência das leis que regulam um mercado competitivo. Como a empresa precisa fixar uma margem de lucro que remunere o capital investido por seus acionistas, resta às companhias a necessidade imperiosa de conhecer os custos de seus produtos/serviços, caso desejem se manter/progredir. Como diria uma gíria popular “é aí que a porca torce o rabo”. E por que isso? Por dois motivos simples: um característico da economia brasileira, o longo período inflacionário cujos ganhos financeiros serviram de desestímulo para que as firmas se dedicassem a seus custos; e outro de repercussão mundial representado pela falência das práticas tradicionais utilizadas para cálculo dos custos dos produtos. Nas pequenas empresas no Brasil observa-se uma determinação empírica dos preços dos produtos. Em muitas dessas companhias o empresário determina o preço de venda de seus produtos simplesmente aplicando um número–fator com o qual multiplica o preço do insumo de maior peso em seus custos. Como por exemplo, na indústria moveleira, ao orçar o preço, simplesmente multiplicando o custo da madeira envolvida naquele orçamento, por um determinado fator. Ou, num outro exemplo, na indústria gráfica multiplicando-se o preço do papel necessário a um determinado serviço, por um número–fator para se chegar ao preço de venda daquele serviço. Se esse fato pode estar acontecendo em muitas empresas de pequeno porte não significa dizer que as de maior porte têm sua estrutura de custos bem definida. Em alguns segmentos de negócios, como se observa no ramo hospitalar só para citar um, desses segmentos, observa-se que mesmo hospitais de certo porte não possuem sequer uma forma de apurar seus custos –– para faturar seus produtos/serviços. Contudo, eles se utilizam de tabelas de preços fornecidos pelas associações de classe. Numa segunda categoria estão perfiladas as empresas que de fato possuem uma estrutura de custeio de seus produtos, porém o fazem baseadas nas técnicas tradicionais de custeio. Essas técnicas existentes há mais de cinqüenta anos e por longo tempo satisfatórias, não o são mais, em função das mudanças processadas nas novas formas de produção/gerenciamento. Isso significa dizer que também essas empresas desconhecem os custos de seus produtos/serviços, uma vez que a apuração como é feita hoje conduz a resultados distorcidos. Essas companhias ficam, então, impossibilitadas de avaliar as margens de lucro de seus produtos, sendo que alguns deles, inclusive, podem estar acarretando prejuízos, sem que a empresa o perceba. Esse é um tema que vem preocupando as empresas em todo o mundo, de forma que nos anos muito recentes vem tomando corpo e cada vez mais utilizado em todo o mundo incluindo aí algumas poucas empresas brasileiras, uma nova forma de custeio–baseado–em–atividades, conhecido pela sigla ABC, iniciais de Activity–Based Costing. ––––––––––––– Samuel Cogan é autor de “Activity–Based Costing (ABC) –– A poderosa estratégia empresarial”.
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