Alguns Paradigmas
Colocados em Pauta

Oceano J. Zacharias
Qualidade & Produtividade
 

Nas últimas décadas, o mundo foi alvo de conhecidas transformações, tais como a crise do petróleo, o fim da guerra fria, a formação de blocos econômicos, o mercosul, a crise do México ou a queda do dólar. E, internamente, a tão desejada estabilização da moeda nacional conduzindo-nos para um real controle da inflação. Obviamente, todas estas transformações obrigaram os empresários a rever suas estratégias, já que medidas de sobrevivência passaram a ocupar lugar de maior destaque e, por que não dizer, o principal objetivo da empresa.

Muitos dirigentes (e até mesmo algumas organizações) são dependentes de fatos passados, de convenções e soluções ultrapassadas. Eles ainda tomam decisões baseados no que funcionava anos atrás. Sentem grande dificuldade em abrir mão de regras antigas, já conhecidas, para construírem um novo conjunto de procedimentos e de atitudes, na condução de seus negócios. Homens e mulheres, criados (e tendo sucesso) no modelo velho, condicionados a velhas soluções, certos de que é muito mais fácil repetir do que inovar, estão sendo chamados a enfrentar um novo e enorme desafio: transformarem suas organizações, começando por transformarem-se a si mesmos!

É preciso jogar na lata do lixo crenças que vêm sendo acumuladas durante anos e não mais permitir que frases como as que se seguem façam parte do dia-a-dia da vida empresarial:

“Em time que está ganhando não se mexe!”

“Sempre fiz assim e sempre deu certo!”

“A culpa é do governo!”

“Para que mudar, vocês estão ficando loucos?... Sempre foi assim!...”

Aí, então, surge uma avalancha de perguntas (tais como: o que fazer? Por onde começar? Com quem posso contar? Quais os riscos envolvidos? Estou no caminho certo?...) fazendo-nos concluir que o medo e a ansiedade serão grandes aliados e que a responsabilidade e os riscos envolvidos serão enormes. Já é sabido que, quem nada fizer, não irá sobreviver.

O mais importante, em todo esse processo de mudança, é que o comprometimento do titular/dirigente, para com esta causa, será o fator determinante do sucesso do seu “novo” empreendimento. Somente desta maneira ele será agente e grande líder da transformação de sua empresa, garantindo a sua permanência no mercado, ao longo do tempo.

Enfrentar os novos desafios significa usar muita criatividade. É preciso estar disposto a quebrar velhos paradigmas e condicionamentos do passado e agir com uma forte dose de coragem e arrojo. A prática de “apagar incêndios” tem de ser substituída por políticas definidas de curto, médio e longo prazos, viabilizando acordos, investimentos em pesquisa, tecnologia e novos produtos. Deve prevalecer a busca pela eficiência e competência, na cadeia–produtiva. A política do ganha–ganha tem de ser sua realidade e a confiança deve orientar todas as negociações.

Para que as mudanças possam ocorrer é também imprescindível rever a situação da área de Recursos Humanos. Ela é a principal “matéria-prima” da empresa, ainda mais neste período de reestruturação em que, com freqüência, as pessoas têm dificuldade para se adaptarem às novas regras. Como, por exemplo, supervisores e gerentes que, com a redução do número de níveis hierárquicos, passam a ter que trabalhar em equipe, às vezes no mesmo pé de igualdade, com seus antigos subordinados.

Por isso é importante aprender como fazer com que as pessoas trabalhem em equipe e coloquem em prática uma comunicação eficaz. Cujo objetivo é contemplar as necessidades de uma empresa que moderniza e opta pelos caminhos da organização holística, da administração participativa e da terceirização com parceria. Os novos procedimentos são ligados a uma visão não–fragmentada do mundo. Os “velhos” organogramas transformam-se em redes de comunicação, democratização e consenso, contemplando o pensamento global, mesmo para uma ação localizada. Técnicas que tendem a quebrar os preconceitos, no relacionamento das pessoas, ajudam e muito.

É comum depararmo-nos com verdadeiras “paredes”, em termos de resistência às mudanças, principalmente quando estas representam alterações de maior significado. Todo o trabalho em perspectiva só será possível se as pessoas envolvidas no projeto passarem, como indivíduos, por transformações. Não é uma tarefa fácil, mas a única alternativa para alterar a forma compartimentalizada como as corporações são organizadas e trabalham, especialmente nos países mais desenvolvidos.

“Nossa empresa atua no mercado de auto-peças e, apesar de nossos clientes não estarem nos exigindo, desejamos a certificação ISO 9000 dentro de alguns anos. Deveremos começar agora com algum trabalho? O que seria?”

A melhor certificação é obtida quando não há pressão comercial. Assim, os trabalhos poderão se desenvolver em ambiente propício para sedimentação dos conceitos de melhoria e sua padronização – e a ISO virá naturalmente. Um bom começo é fazer o Housekeeping (conhecido também por 5S) e implantar Controle Estatístico de Processo (C.E.P.) nas principais atividades que interferem na qualidade do produto. São passos importantes e decisivos no caminho para a ISO 9000.

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Oceano J. Zacharias é diretor da Quality – Engenharia e Treinamento em Qualidade & Produtividade S/C Ltda.