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A Opção pelo Negócio Próprio
Alvaro A. A.
Mello As economias dinâmicas e vivas se caracterizam pelos altos índices de oportunidades que oferecem àqueles que querem solucionar problemas, buscando alternativas de trabalho e criando suas empresas. Há pelo menos uma década, principalmente nos E.U.A. (Babson College), vem crescendo em importância, uma nova tendência de comportamento sócio-econômico. Um número cada vez maior de pessoas está optando pelo seu negócio, tornando-se, portanto, seu próprio patrão. E esta situação não pode ser mais considerada como dado conjuntural, um modismo. Muito pelo contrário. Ocorrem, em nível nacional, algumas mudanças sócio-econômicas e comportamentais relevantes que fortalecem essa tendência de abrir e operar novos negócios: a institucionalização de duas rendas familiares; o crescente reconhecimento de que grandes organizações não preenchem necessidades básicas de autonomia e segurança; admissão dos planejadores governamentais de que os pequenos empreendimentos são criteriosos geradores de empregos, impostos, exportações e inovações, além de reduzir a expansão da economia subterrânea e promover o dinamismo do mercado; a participação cada vez mais marcante da mulher empreendedora na sociedade moderna; o crescimento do franchising como modalidade alternativa na iniciação de uma empresa; a percepção dos governos locais da necessidade de se pulverizar a concentração dominante em grandes corporações do emprego e impostos em seus municípios; a mudança da mentalidade especulativa dos investidores, deslocando suas inversões para atividades produtivas. LUCRO Estas atividades empresariais são tão sérias, diversificadas e intensas que, como conseqüência, já possibilitam a existência lucrativa de empresas especializadas em assistir tecnicamente empresários potenciais e seus negócios nascentes o que, inclusive, acaba por desmistificar idéia de que só pode ser empresário quem nasceu com uma estrela especial, ou com um capital garantido por generosa herança familiar. É claro que determinadas características pessoais são importantes, tais como uma boa dose de coragem para correr riscos, persistência e otimismo para encarar fracassos e dificuldades de frente, muita autoconfiança e espírito inovador. Percebe-se, assim, que a despeito da situação atual, há uma fatia da população do País que desperta para outras possibilidades de vida, e, isso é muito positivo. Afinal, eles estão passando à ativa, ou seja, estão escolhendo, por sua conta e risco, como orientar e administrar suas carreiras, seus ganhos e suas perspectivas. Em outras palavras, estão escolhendo a liberdade de mudar, segundo percepções e possibilidades mais adequadas a um objetivo pessoal de vida. As vantagens destas atitudes são visíveis por si só. Principalmente para quem, na condição de empregado, sente-se frustrado em suas propostas e sonhos não levados à frente. Mas, é importante lembrar que também existem desvantagens. O empresário está longe de padecer no paraíso, como muita gente pensa. Por exemplo, o que faz quando o negócio não dá certo? Há quem não acredite o quanto é doloroso, depois de muito esforço e esperança, simplesmente fechar a porta. E quando os lucros demoram anos para aparecer ao invés de meses como normal e afoitamente se imagina? A imagem do empresário rico e “bon vivant” é um estereótipo longe da realidade da vida. Ele existe, porém, não como regra. Atrás de um bom negócio, de uma empresa lucrativa, há muito suor, noites mal dormidas, sacrifícios pesados e uma grande força de vontade. E o resultado, em boa parte dos casos, vale a pena. Confira com um empresário. ––––– Álvaro A. A. Mello é consultor de empresas e co-autor do livro O Empreendedor
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