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As Escolas Buscam Qualidade
Ana Cláudia
Quadro Gomes e Paulo Sanches Redução dos quadros de alunos faz com que cursos de idioma se modernizem A palavra talvez não seja crise. Mas a situação hoje, após o Plano Brasil Novo, permite uma reflexão. O sucesso das escolas de inglês, no Brasil, nos últimos anos, foi garantido em parte pelas empresas que patrocinavam aulas para seus funcionários, especialmente executivos. Não é estranho, portanto, que com o advento do plano e os cortes que a ele se seguiram, inúmeras empresas tenham paralisado esse tipo de atividade, motivando uma queda no setor de ensino de idiomas estimada em 50% a 60%. Mais do que dar solução de continuidade a um sério trabalho que vinha sendo desenvolvido pelas escolas, essa perda representa um duplo descompasso: é ruim para a empresa porque, de um lado, é obrigada a desativar seus projetos nessa área, projetos que antes representavam investimentos; de outro lado, porque o plano acena para a liberação das importações, o que faz com que esse executivo –– a médio e longo prazos –– venha a precisar ainda mais de um segundo idioma. Com essa redução em seus quadros de alunos, as escolas não tiveram outra saída senão reduzir suas margens de lucratividade e buscar oferecer exatamente uma melhor relação custo/benefício. Isto quer dizer que já estão lançando mão de toda a sua criatividade, com recursos modernos e inovadores, mais ágeis e flexíveis. Está havendo, conseqüentemente, uma mudança de perfil nas escolas, na medida em que se está buscando maior qualidade. Da parte das empresas e dos executivos, há maior seletividade, com o conseqüente desaparecimento dos cursos menos criativos e menos competentes. Anteriormente muitas escolas, sem qualidade, mantinham uma alta rotatividade no seu quadro de alunos, os quais só percebiam o engodo depois do primeiro ou do segundo mês. Agora, não. Temos aqui um dos raros casos em que a Lei de Gérson –– do vamos levar vantagem em tudo –– torna-se positiva. Na medida em que o consumidor é mais exigente, na medida em que busca, e precisa, levar vantagem no curso que escolhe, as poucas escolas com um marketing dirigido à satisfação do aluno, em primeiro lugar, e à lucratividade, depois, saem ganhando. Do ponto de vista do consumidor, já se nota: Maior pesquisa sobre preços e sobre os serviços oferecidos (hoje, o aluno quer saber principalmente qual o retorno do investimento); Empresas desenvolvendo processos de aprendizagem, tanto internos quanto externos, como solução para o problema; Maior conscientização de que o aprendizado e a manutenção de um segundo idioma, em especial o inglês, são atualmente fundamentais, na medida em que a abertura para as importações deverá dar nova dimensão ao intercâmbio tecnológico, cultural, científico e sócio–político entre o Brasil e outros países. Então, o que se verifica é uma reestruturação e um redimensionamento dos cursos de inglês, o que inclui não só a redução dos preços (implicando um enxugamento do setor administrativo e, por conseguinte, o desemprego, inclusive de professores), mas a busca de um melhor atendimento ao aluno. Agora, é a escola que precisa dele, muito mais que ele da escola, ao contrário do que vinha ocorrendo antes do plano. Evidentemente, erra aquele que, precisando do inglês agora, adia o seu curso para depois, pois o momento é de investir já, na baixa, para obter os resultados desejados antes que seja tarde demais. ––––––––––––––––
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