|
Cartas
ao Globo Olavo
de Carvalho O número e o teor destas cartas – exatamente como o das enviadas à Época em circunstância análoga – bastam para mostrar que a chefia de redação de O Globo, tanto quanto a daquela revista na ocasião, mentiu deliberadamente ao alegar que suprimiu minha coluna por motivos de economia. Meu salário em ambas essas publicações era bem inferior ao de vários colunistas cuja ausência repentina não suscitaria reclamações de leitor nenhum. Porém ainda mais significativo do que as cartas enviadas é o fato de que, em ambos esses casos, elas foram meticulosamente sonegadas ao conhecimento dos demais leitores, o que dá a medida do completo desrespeito que alguns jornalistas têm por um público que não lhes serve senão de massa de manobra ou de gazua para o saque aos cofres do Estado. E não é preciso dizer que, nas duas ocasiões, a conduta dos responsáveis nada teve de surpreendente, expressando ao contrário tudo o que há de mais típico e notório no jornalismo brasileiro. Se não fosse o fato de que a supressão da minha coluna privará o público da única fonte de informações fidedignas que restava na grande mídia brasileira sobre as atividades criminosas da esquerda latino-americana, eu estaria celebrando a minha saída do Globo como um presente dos céus. Era horrível pensar que, semanalmente, idéias e informações obtidas com esforço tão sincero seriam diluídas na pasta de mentiras e banalidades subscritas por Veríssimos, Jabores, Argemiros Ferreiras, Cacos Barcelos e outros que tais, e ainda corriam o risco de ser alegadas como sinais da superior idoneidade ideológica da publicação. Isso sim me chocava, me deprimia, me envergonhava. Ser privado dessas companhias é, no mínimo, um alívio. Em nada me surpreendeu, ademais, o timing especialmente malicioso da decisão, que aguardou minha viagem para só então cortar subitamente pela metade os meus meios de subsistência num país estrangeiro, semanas depois de eu ter recebido garantias – informais, é verdade – de que minha posição no jornal estava assegurada. Nem me assustam as dificuldades materiais, nem esperei jamais conduta melhor da parte desses indivíduos. O testemunho dos leitores a respeito foi e será suprimido não só para evitar reações de escândalo da parte de outros leitores, mas para impedir que a elite dirigente da redação do Globo tenha de se confrontar, mesmo por breves instantes, com a realidade da sua miséria moral espelhada no julgamento público. Essa gente se alimenta do auto-engano com a naturalidade com que os cães lambem seu próprio vômito. Mas os cães também se nutrem de outras coisas, ao passo que o estômago requintado daquelas criaturas rejeita instintivamente o que quer que não seja da natureza dos seus próprios dejetos. Richmond, VA, 16 de julho de 2005 Olavo de Carvalho -------------------------------------------------------------------------------- Parte I :: Cartas enviadas ao Globo Parte II :: Cartas enviadas a Olavo de Carvalho
|