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As Diferenças entre a Tragédia e a Comédia Denny
Marquesani Fragmentos: Arte Poética, cap. VI, § 27: “É pois a tragédia imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes do drama, imitação que se efetua não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções.” — Aristóteles Arte Poética, cap. V, § 21: “A comédia é, como dissemos, imitação de homens inferiores; não todavia, quanto a toda espécie de vícios, mas só quanto àquela parte do torpe que é ridículo. O ridículo é apenas certo defeito, torpeza anódina e inocente; que bem o demonstra, por exemplo, a máscara cômica, que, sendo feia e disforme, não tem expressão de dor.” — Aristóteles Comentário: Conforme Aristóteles, a tragédia e a comédia tiveram uma origem comum: Homero. Com o passar do tempo surgem a tragédia a partir do modelo da poesia épica (Ilíada e Odisséia) e a comédia a partir do modelo da poesia burlesca (Megistras). Uma outra presença na origem da tragédia é o ditirambo em honra de Dionísio. Na comédia, a influência das procissões fálicas chamadas kommos. Tanto a tragédia como a comédia surgiram da mistura de festas públicas com a herança "literária" homérica.
Talvez Aristóteles não tenha sido muito preciso nessas considerações das origens, porque formalmente a tragédia não provém da epopéia, mas certamente deriva do culto a Dionísio. Embora essa pretensa origem comum, tragédia e comédia diferem em vários aspectos: A tragédia imita ações de caráter elevado, coloca o homem na situação de agir. A ação é mais importante do que o personagem. Ação una que é completa e de extensão apropriada. Tem começo, meio e fim de forma que se apreenda o todo porque há um encadeamento numa relação de causa-e-efeito. A ação suscita duas paixões, terror e piedade, com a finalidade de produzir a catarse dessas emoções. A linguagem é ornamentada com ritmo, harmonia e canto. Ao passo que a tragédia imita ações, a comédia imita homens. Homens inferiores. Na comédia o ethos (o caráter) do personagem é o mais importante. Personagens marcadamente exagerados pelo traço de caráter: o medroso, o avarento, o adulador, são homens inferiores. Inferioridade que diz respeito ao vício. Não são simples vícios, mas o quilo que é ridículo. O ethos próprio da comédia é sem dor como covardia, adulação, avareza. Basta pôr um ridículo em cena, não há necessidade imperiosa de enredo, peripécias e ações. A personagem da comédia está sempre fora da virtude. Também no que diz respeito aos traços físicos: o narigudo, o baixinho, o gigantesco etc. (No futuro, a sátira é que vai dar conta do ridículo com dor: o traidor, o destemido que não mede as conseqüências.) Na visão antiga a comédia tem a finalidade de rir do vício porque precisa ser corrigido e rindo-se dele ressalta-se a virtude. O riso é corretor dos costumes. “Ridendo castigat mores” — Horácio
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