Globalização,
Razão para Maior Controle de Custos

Célia de Gouvêa Franco
  Gazeta Mercantil 

Com o processo de globalização da economia, as empresas brasileiras estão enfrentando maiores desafios para manter satisfeitos seus clientes, que passaram nos últimos anos a exigir não apenas alta qualidade e preço competitivo dos produtos mas também a prestação de uma série de serviços que antes não eram cobrados. Uma tendência crescente entre as companhias do setor de comércio é, por exemplo, pedir que seus fornecedores estoquem seus produtos até o último momento possível antes de serem colocados nas gôndolas e prateleiras para serem oferecidos aos consumidores finais. Outra exigência comum é que determinados produtos sejam embalados pelo fabricante de uma forma diferente, para serem vendidos apenas por uma determinada empresa.

Esse novo relacionamento com seus clientes significa aumento de custos para muitos fabricantes, que às vezes não se dão de imediato conta da extensão do impacto dessa elevação de custos sobre seus resultados. É por isso que seria cada vez mais importante para os empresários ter um acompanhamento detalhado dos custos resultantes de cada atividade desenvolvida pelas empresas.

INTERESSE PELO SISTEMA ABC

Quem faz essas afirmações é o americano Robert Eiler, um dos especialistas em administração de custos e finanças da Price Waterhouse, que esteve a semana passada no Brasil – pela primeira vez – para uma série de reuniões com clientes e sócios da empresa de consultoria. Nesses encontros, Eiler, de 50 anos, defendeu a implantação do sistema de controle de custos conhecido internacionalmente pela sua sigla em inglês ABC, Activity Based Costing, ou seja, um programa em que as empresas fazem o levantamento e a contabilização dos custos de cada atividade que praticam, numa fórmula que permite que se descubra quais são os negócios que dão lucros para as companhias –– e quais os que resultam em prejuízos.

O sistema ABC estaria, segundo Eiler, sendo cada vez mais adotado por empresas em todo o mundo. Imediatamente depois que foi criado, no final dos anos 80, o método começou a ser seguido nos Estados Unidos apenas, mas hoje o interesse seria muito forte nos países europeus, na Ásia e também na América Latina. Vários produtos já foram criados, na área de informática, para a implantação do sistema ABC através de softwares a serem usados pelos departamentos de contabilidade das empresas.

As primeiras companhias a se interessarem pelo sistema ABC foram os fabricantes de bens de consumo, que tradicionalmente se preocupam com a gerência de custos. Outros setores começaram mais recentemente a se interessar pelo impacto específico de cada produto ou serviço sobre os custos das companhias, numa tendência que seria perfeitamente explicável, na opinião de Eiler. É muito mais fácil para um fabricante –– de, por exemplo, escova de dentes –– comparar os preços de um seu produto com os preços dos concorrentes do que para uma empresa na área de serviços, como um restaurante ou um banco. Com a globalização da economia e o conseqüente aumento da competição em todos os setores, as empresas que normalmente se preocupam menos com os custos tendem a também prestar mais atenção na formação e administração dos seus custos. Hoje, bancos, seguradoras e empresas do setor de telecomunicações estão adotando sistemas de controle de custos.

Um exemplo citado por Eiler desse panorama é de uma empresa americana do setor de seguros, cliente da Price Waterhouse, que administra fundos para uma série de clientes. Num levantamento feito para apurar os custos das suas atividades, a empresa constatou que o custo médio de administração para os grupos que tinham 100 membros era bastante alto; para os grupos com 100 até 500 participantes, o custo médio caía bastante por causa da economia de escala; para os grupos com mais de 500 inscritos, o custo voltava a se elevar – não era tão alto quanto para os grupos menores, mas exatamente por envolverem um número grande de pessoas a gerência dos fundos implicava maior burocracia e mais horas de trabalho nas negociações com tanta gente. Ou seja, através da análise de custos por atividade foi possível descobrir que tipo de grupo a seguradora deveria buscar como cliente.