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Horácio: o Adequado e o Oportuno Denny
Marquesani Fragmentos: “A um tema cômico repugna ser desenvolvido em versos trágicos; doutro lado, o Jantar de Tiestes indigna-se de ser contado em composições caseiras, dignas, por assim dizer, do soco. Guarde cada gênero o lugar que lhe coube e lhe assenta.” Horácio. Arte Poética, 89-92
“Suponhamos que um pintor entendesse de ligar a uma cabeça humana um pescoço de cavalo, ajuntar membros de toda procedência e cobri-los de penas variegadas, de sorte que a figura, de mulher formosa em cima, acabasse num hediondo peixe preto; entrados para ver o quadro, meus amigos, vocês conteriam o riso? Creiam-me, Pisões, bem parecido com um quadro assim seria um livro onde se fantasiassem formas sem consistência, quais sonhos de enfermo, de maneira que o pé e a cabeça não se combinassem num ser uno.” Horácio. Arte Poética, 1-9
Comentário: Decorum (adequado, apropriado), kairós (momento oportuno), necessidade, verossimilhança, virtude e obediência à tradição são importantes preceitos da Poética de Horácio. Portanto, o poeta deve escolher as palavras adequadas para que o poema (a elocução, o discurso ou o texto) apresente uma correspondência entre o metro, o assunto e o gênero porque a tradição (literalmente, Homero) ensina que determinado gênero deve ser desenvolvido num determinado metro tratando de determinado assunto. Por exemplo: hexâmetro, guerra, épica; jambo, inventiva, sátira; etc. Além disso, o poema deve ter unidade (começo, meio e fim) numa relação de necessidade e verossimilhança em que haja um encadeamento numa relação de causa-e-efeito. O poeta não deve tender para os extremos nem por excesso nem por carência, mas deve se manter no ponderado meio-termo, aquilo que é virtuoso e correto no poema. Se numa tragédia, que deveria produzir o terror e a piedade, produz-se o riso, algo não está adequado e não é conveniente.
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