Lições de um Pensamento Chinês

Milton Roberto de Almeida
 

Um bom plano é a melhor defesa para sobreviver nos momentos difíceis

Um estrategista chinês afirmou há dois mil anos, que “preparar-se de antemão para todas as contingências é a maior das virtudes”.

Um bom plano é a melhor defesa contra a concorrência e as mudanças de mercado. Sem um plano estratégico, que seja correto e controlado, sua empresa estará navegando sem rumo, diretamente para o naufrágio, como deseja a concorrência.

Um plano é um guia de ação que determina o que fazer e quando mudar o rumo ou situação de seu negócio para atingir objetivos a longo prazo. O plano define ações que serão o elo de ligação entre os resultados de hoje e os desejados no futuro.

Um bom plano estratégico deve estabelecer objetivos quantitativos e qualitativos, estratégias, tarefas e respectivas datas de execução. Isso para cada departamento, unidade ou setor da empresa.

Sua empresa estará com sérios problemas de planejamento se alguma das situações descritas a seguir estiver ocorrendo. Será preciso tomar imediatas ações corretivas para sanar a falha e assegurar a continuidade do desenvolvimento da empresa.

1)      A empresa trabalha de maneira informal, sem planos. Ninguém nunca fez um. Existe apenas um orçamento de despesas que serve para determinar o volume de vendas a atingir.

Essa situação mostra a sua empresa navegando perigosamente sem uma orientação.

2)      Sua empresa utiliza um plano mas é sempre o mesmo velho plano de anos anteriores, retirado do fundo da gaveta e apresentado como novo. Os objetivos e estratégias não foram mudados para acompanhar a nova situação do mercado e as ações da concorrência.

3)      Os objetivos de seu plano são apenas números que representam as despesas e vendas projetadas. As estratégias e tarefas, cuja realização é necessária para que os números sejam atingidos, não foram pensadas. O plano mostra apenas o quanto deve ser atingido mas não como, por quem ou quando.

4)      O plano é elaborado pela Alta Administração sem consultas aos gerentes de todas as áreas e escalões hierárquicos da empresa, e é imposto de cima para baixo. Esse procedimento exige pouco envolvimento dos funcionários no plano, diminuindo muito o grau de colaboração. Esse envolvimento é muito importante para assegurar o sucesso do plano. Se você enfiar os objetivos pela goela abaixo das pessoas, elas, com toda razão, sabotarão o seu plano e ainda o responsabilizarão pelo fracasso.

5)      Os funcionários não colaboram com o plano, o qual é considerado um inútil exercício de escrita que não auxilia a empresa e o pessoal a atingir seus objetivos, não afeta as atividades diárias e não especifica prioridades. Eles reclamam da falta de direção porque não há direção ou porque ela não foi comunicada.

Se não forem estabelecidos objetivos claros, se não for implantado um adequado sistema gerencial e não for criado um ambiente organizacional que as motive, as pessoas continuarão a fazer suas próprias coisas, alheias às necessidades da empresa. Os bons funcionários a deixarão porque não vêem perspectiva de futuro.

6)      O processo de planejamento não é documentado. A apresentação do plano, a coleta de informações e o processo de tomada de decisões são casuais e não documentados. Movimentos estratégicos dispendiosos, críticos para o sucesso da empresa, são baseados em opiniões pessoais e não em fatos ou pesquisas mercadológicas.

7)      A concorrência não é considerada como fator importante no planejamento de marketing. Sua empresa está sendo superada rapidamente em crescimento e participação no mercado. Ao contrário de você, seus concorrentes estão começando a usar com sucesso novas tecnologias, sistemas de distribuição, métodos de vendas e lançando novas categorias de produtos. Se a concorrência é o último fator que você considera em seu plano, lembre-se que será o primeiro que fará sua empresa sucumbir.

8)      Tudo é para agora. As decisões e discussões sobre os negócios são exclusivamente a curto prazo. Não há pensamento voltado para o futuro. Seus gerentes estão sempre “apagando incêndios” e não podem parar para pensar no futuro da empresa.

9)      Indecisão diante de novas oportunidades. Como os objetivos e prioridades não são claramente definidos é difícil tomar decisões quando surgem oportunidades para novos negócios ou idéias para novos produtos ou serviços. Nosso estrategista chinês também costumava dizer que “se o comandante é hesitante, o exército não confiará nele e fracassará no confronto com os inimigos”.

10)  A empresa não recompensa o sucesso nem pune o fracasso. O bom plano não é recompensado e o fraco não é penalizado. Dessa forma os gerentes não se preocupam em elaborar planos criativos que tragam resultados para a empresa.

11)  Falta de delegação de autoridade ou de comunicação de objetivos aos funcionários de todos os níveis hierárquicos envolvidos na execução do plano. Os objetivos e os resultados devem ser constantemente comunicados aos funcionários, os quais devem ser encorajados a fazer comentários e críticas honestas. O poder de decisão de cada elemento deverá ser delegado sempre mediante uma clara definição por escrito.

12)  Os funcionários que devem executar o plano não possuem habilidades e conhecimentos suficientes para colocá-lo em prática com sucesso. Nesse caso, o conhecimento deve ser adquirido. A empresa precisará contratar e treinar novos funcionários e reciclar os antigos. As empresas multinacionais costumam utilizar consultores externos para esse fim devido aos excelentes resultados obtidos.

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Milton Roberto de Almeida é consultor de marketing