|
Prêmio
Nobel!? Denny
Marquesani
A bola da vez é John Maxwell Coetzee, um sul-africano nascido na cidade do Cabo em 1940. Falante de africâner e com sofisticada formação como professor de Literatura, é autor de vários romances (ver relação abaixo) e professor visitante da Universidade de Chicago. Em seus escritos, Coetzee manifestou-se permanentemente preocupado com a história da África do Sul e a posição dessa sociedade em relação ao seu passado. Foi ganhador duas vezes do Book Prize, o mais importante prêmio literário britânico. Coetzee é um artífice do discurso narrativo que, ao lapidar sua técnica, apresenta um completo domínio da prosa num texto com pouca emotividade, não engajado, mas construído com extrema perspicácia e milimétrica perfeição. A crítica à sociedade sul-africana não é explícita, está, quais diamantes, no subterrâneo de sua narrativa. Em seu livro de 1999, Desonra, lançado no Brasil, revela-nos uma narrativa extraordinária que conduz à reflexão sobre os nódulos de ódio cristalizado que o longo tempo da dominação branca e do apartheid produziram naquele país, onde a pobreza e desigualdade trafegam sobre um rico subsolo de diamantes. É uma alegoria brilhante da África do Sul, onde a violência se espalha por todos os lados, indiscriminadamente, e a história fala por meio dos personagens que sem ter acesso ao «tu» negam o «eu» numa atitude passiva assumindo, mesmo quando vítima, uma culpa insuportável que deve ser punida «ritualisticamente». Como se o «tu» negado, agora cobrasse reconhecimento. Essa idéia do cobrador aparece também num conto de Rubem Fonseca cujo título é justamente O Cobrador. É o discurso do oprimido brotando parenteticamente no discurso do opressor. Como se o coletivo, o social estivesse introjetado no indivíduo. Como se a sociedade estivesse dentro dele. Portanto o interior do personagem não é mais o ego que se espelha solitariamente no quarto fechado de sua solidão. Porque a sociedade está lá dentro dele. E esse estar da sociedade dentro dele, nas cogitações de seus pensamentos, traz o personagem para fora, lá onde ele mergulha dentro de si. Os Escritos de J. M. Coetzee:
Seria o Prêmio Nobel um instrumento para sensibilizar os políticos, intelectuais, líderes mundiais e mídia internacional com relação às etnias oprimidas? Uma “paranóia holocáustica?” Seria, então, no final das contas, um prêmio à “excelência ideológica”? ["Viajô!!!"] |