Ritmo e Sonoridade


IEL-I, 2002

Todo verso tem ritmo? Sim. Porque é linguagem. Uma enunciação de linguagem possui ritmo. Mesmo que esse ritmo não seja balizado por parâmetros definidos. A fala normal possui ritmo e melodia. Mesmo que não entendamos as palavras, o ritmo e a melodia de uma frase contém em si certos sentimentos e sentidos transmissíveis inerentes a ela.

A enunciação lingüística por si só já contém ritmo e melodia própria que varia de língua para língua e de contextos lingüísticos para contextos lingüísticos. A nossa fala aqui é menos cantada do que a de um alagoano ou de um cearense. Nós falamos a mesma língua. Os sotaques, também, das diferentes regiões interferem nessa melodia própria da língua. Agora, compartilhando a mesma língua, eu sei qual é a melodia de uma pergunta, e qual é a melodia de uma resposta ou de uma ordem, o que pode ser diferente em outra língua.

É importante observar que o ritmo e a melodia fazem parte da linguagem como um todo. Na poesia esse ritmo e essa melodia que fazem parte da linguagem, são domados de certa forma, são estruturados de modo a fazer nascer um sentido poético no poema, no verso.

Isso tudo está discutido num texto que faz parte da bibliografia obrigatória, o texto de Osspi Brik, chamado “Ritmo e sintaxe”.

Brik, Ossip. “Ritmo e sintaxe”. In: Eikhembaum et alli. Teoria da Literatura: Formalistas Russos. Porto Alegre: Globo, 1971, pp. 131-139:

“O movimento rítmico é anterior ao verso. Não podemos compreender o ritmo a partir da linha do verso; ao contrário, compreender-se-á o verso a partir do movimento rítmico.”

Brik coloca o dedo numa questão fundamental. Há uma distinção rítmica e melódica entre uma leitura sintática, ou seja, uma leitura que segue a sintaxe própria da frase, e uma leitura rítmica poética, que se atém ao ritmo desejado e imposto pela organização sonora do poema.

Ossip Brik defende a tese de que em um poema esses dois momentos estabelecem uma relação de determinação recíproca. Não podem ser separados. Onde isso fica claro? Em que procedimento literário? No encadeamento, no Enjambement (encadeamento, cavalgamento). O que acontece? A leitura sintática é afetada pela disposição rítmica do poema. A leitura rítmica e poética cristaliza uma cesura, a sintática, não. É nesse jogo entre esses dois campos de validade que se constitui o poema.

Paul Valéry, grande poeta francês, discutiu muito essa questão da música e da poesia. Ele argumentava, retomando uma discussão muito antiga, que a poesia nasce da música. (Poesia: literatura como um todo, mas , mais especificamente a poesia, o poema — o poema nasce da música). Um exemplo disso pode ser encontrado nas sociedades primitivas e na Antigüidade Clássica também em organizações literárias e sonoras nas quais o ritmo era marcado com uma função externa. Isso ocorre fundamentalmente em canções de trabalho. O que é uma canção de trabalho? Há um trabalho coletivo a ser realizado que envolve um certo ritmo. Seja a articulação entre as pessoas, seja a articulação das pessoas com algum instrumento ainda que rudimentar: um monjolo, um tear.

As canções de trabalho, além de tornarem o trabalho mais agradável, facilitam um entrosamento e a organização da comunidade para a realização daquela tarefa. No Brasil há inúmeros exemplos disso. Um famoso citado numa música da Marisa Monte: “ensaboa, mulata, ensaboa” aquilo era um movimento que tinha esse refrão. Ou então, as carpineiras que cortam cana. Têm que fazer um movimento muito articulado por que senão você pode cortar o pé da outra carpineira ou o seu próprio. Por isso há uma canção própria que marca o ritmo, a carpineira vai cortando naquele ritmo. No monjolo, você tem que colocar a mandioca no intervalo em que a água está enchendo a parte oposta do instrumento. Se você perder o ritmo, corre o risco de perder a mão.

O ritmo marcado propiciava, nas canções de trabalho, essa unidade que era preenchido com frases que tinham que se adaptar a esse ritmo. Na teoria weberiana das unidades das esferas de valor da Antigüidade: as esferas estética, social e religiosa constituíam no alvorecer da civilização ocidental uma unidade que progressivamente foi se autonomizando.

Pensemos num ditirambo antigo. O ditirambo em honra ao deus Baco era originalmente cantado por homens abraçados depois de terem feito as devidas libações ao deus Baco, havia uma fogueira aromática que facilitava o transe (que era o objetivo final de tudo aquilo), e tinha um ritmo marcado pela batida do pé. Essa ação de marcar o ritmo com o pé gerou a denominação de , a unidade rítmica básica do poema.

Na Antigüidade Clássica, a poesia era organizada a partir de um sistema chamado quantitativo. Esse sistema quantitativo dividia os pés a partir da duração das sílabas. Ele evoluiu, foi substituído em grande parte pelo sistema qualitativo. Na nossa língua o sistema métrico de versificação é qualitativo: é a acentuação.

Na Antigüidade Clássica, a poesia era organizada a partir de um sistema chamado quantitativo. Esse sistema quantitativo dividia os pés a partir da duração das sílabas. Ele evoluiu, foi substituído em grande parte pelo sistema qualitativo. Na nossa língua o sistema métrico de versificação é qualitativo: é a acentuação.

A organização do poema a partir dessa divisão, a cada compasso, garantia a unidade de todo o poema. Precisamos nos lembrar que na Antigüidade Clássica, a rima não era utilizada como elemento de organização. A rima é bem mais recente.

Prosseguindo com Valéry: a poesia nasceu da música, das canções de trabalho, e de outra função fundamental, duas outras: a guerra — por que a guerra?

A marcação do ritmo na guerra também é fundamental. Vocês já viram vários filmes de guerra onde a criança toca um tamborzinho. Isso não é um exercício de crueldade. No meio da batalha colocar as crianças com um tamborzinho. Aquele tamborzinho marcava o ritmo do passo. A criança ia batendo no tamborzinho.

O ritmo marcava isso também.

Tinha uma terceira função fundamental na música da qual a poesia nasceu: auxiliar a memória. Imaginem os poemas homéricos, eles não eram lidos, eram recitados, transmissão oral. Com um ritmo marcado, fica mais fácil, mesmo com a ausência de rimas, a lembrança do conteúdo. Professores de cursinho pré-vestibular ensinam musiquinhas pra facilitar a memorização dos conteúdos. Vocês, garanto que sabem recitar muito mais poemas musicados do que poemas lidos. A música faz com que a lembrança se torne muito mais viva. Aí você pode até tirar a música que permanece. Músicas enormes são lembradas, o que não acontece com a leitura do poema. Você precisa estudá-lo muito mais para retê-lo na memória. Então o ritmo marcado, entretanto, do poema o torna muito mais fácil de se lembrar do que o texto em prosa.

A poesia nasce da música, só que ela como ocorre freqüentemente, quase sempre, na sociedade ocidental, ela abandona a mãe, os pais, no caminho para sua autonomização. O que acontece? Já na Idade Média (395 [morte de Teodósio]—1453 [fim do império bizantino]) elas estão completamente juntas, a música e a poesia, pensem nas canções trovadorescas, os trovadores. Eram canções, tinham linhas melódicas claramente definidas que se repetiam, tinham acompanhamento musical, e a pessoa cantava. As estrofes se adaptavam à música e se repetiam. O que aconteceu no Renascimento? A poesia introjeta a música e abandona o acompanhamento musical instrumental. Um soneto de Petrarca não era acompanhado musicalmente. A música agora está dentro da disposição sonora e rítmica do poema. Isso não impede que esse poema seja musicado, mas é um outro passo, ele já nasce junto com a música. Isso caminha, caminha até hoje.

Se essa música, entretanto, que faz parte da poesia porque ela é filha da música, sobretudo a poesia lírica cuja relação com a música e sonoridade é fundamental e determinante, muito mais do que na épica e na dramática. Paul Valéry coloca, então, a seguinte questão: É possível falar em uma música da poesia? Ele acha que a poesia tem de voltar às suas raízes familiares. Mas apenas para visitar. Visitar a música. Ressaltar a musicalidade que lhe é inerente. Então é possível falar em uma música da poesia? Valéry responde: sim, mas uma música específica, uma música particular. Por quê? Por que na música a intensidade (forte, piano) e altura (grave, agudo) são definidos. Isso está definido na pauta, está codificado de alguma forma (às vezes nem tanto), mas no poema, não. O poema não trás no seu topo alegro, andante com moto. A leitura de um poema, o andamento dessa leitura não é codificado. Kayser fala que alguns poemas pedem, exigem de um leitor atento que ele seja lido com um andamento mais lento, outros com um andamento mais rápido. Mas isso não está definido no poema, isso não aparece, não está escrito andante, alegro etc, também a melodia não está codificada, tanto não está, que eu posso ler um poema com diferentes curvas melódicas em cada frase; mas não posso cantar uma canção dessa forma. A codificação musical tem um certo grau de liberdade, mas é muito menor do que no poema. Então essa música da poesia é uma música particular por uma segunda razão, o poema é essencialmente monódico, não é polifônico. A música, pelo menos desde o século XIV, é essencialmente polifônica, ou seja várias vozes co-existindo, o que não acontece na poesia. Embora em muitos poemas, os poetas tentem reproduzir esse efeito polifônico.

Essa música específica da poesia é algo da poesia é algo que Valéry comenta da seguinte forma: “essa música é para alguns imperceptível, pela maioria negligenciada, para outros objeto de pesquisas abstratas, às vezes eruditas, geralmente estéreis.” Então a discussão e reflexão sobre a sonoridade, o ritmo e a métrica dos poemas, alguns nem notam, lêem o poema e não notam que ali tem uma música própria. Outros notam mas não acham tão importante. Outros acham importante, dedicam a vida ao estudo dos pés, dos ritmos, fazem a organização de todos os versos de todos os poemas, mas de maneira estéril, eruditíssimo: troqueu, troqueu simples, troqueu composto, 37 tipos diferentes de organização trocaica etc. Só que de maneira estéril. O que Valéry defende é que a música da poesia seja apreendida no contexto do poema como um todo fechado. Que a música de cada poema seja valorizada e descoberta. E não a música da poesia em geral. Isso é o importante. Cada poema em si.

Vejamos, agora, um trechinho de uma grande obra chamada Essay on Criticism de um grande poeta neo-clássico inglês Alexander Pope. É um poema enorme sobre o que é poesia, o que é criticar poesia. Pope era um poeta neo-clássico. O que caracteriza o neo-classicismo? A pretensão de um retorno aos idéias de ordem, clareza e estrutura dos gregos. Do que eles achavam que os gregos tinham, mas a coisa é mais complicada. Então, é a busca da linha reta, da imagem clara, da forma rígida. Isso é o neo-classicismo. Nesse poema vocês vão ver como isso está claro na organização métrica da estrofe. Não bem uma estrofe, é um trecho mesmo. A razão, segundo o ideal neo-clássico, deveria dominar todos os aspectos da natureza, e organizada racionalmente, a natureza poderia, então, expressar o próprio homem.

Essay on Critisim

Alexander Pope

 

True Ease in Writing comes from Art, not Chance,

As those move easiest who have learn'd to dance,

'T is not enough no Harshness gives Offence,

The Sound must seem an Echo to the Sense.

 

Soft is the Strain when Zephyr gently blows,

And the smooth Stream in smoother Numbers flows;

But when loud Surges lash the sounding Shore,

The hoarse, rough Verse shou'd like the Torrent roar.

 

Essay on Critisim

 

Alexander Pope (tradução de Paulo Vizioli)

 

O escrever fácil só com arte é que se alcança,

Como melhor se move o que aprendeu a dança,

Não basta que o poema seja comedido,

Deve o som parecer um eco do sentido.

 

Maviosa é a música se branda inspira a brisa,

E em métrica mais doce o doce rio desliza,

Mas se a varga vergasta o litoral plangente,

O verso rude e rouco ruge qual torrente.

 

Qual é o tema desse poema? É o tema do nosso estudo, dessa aula. A relação entre som e sentido na poesia. Esse poema continua com exemplos

O que tem aqui de interessante? O que ele está dizendo?

“True Ease in Writing comes from Art, not Chance” a facilidade, a fluidez, deriva da arte. Arte é o que (em grego)? Técnica, razão, trabalho meticuloso de observação e articulação. Deriva da arte e não do acaso. Mas, a fluidez, a facilidade, não é algo que aparentemente vai contra esse trabalho meticuloso da técnica? Apenas aparentemente. Porque advém. Se você domina uma técnica, aquilo fica fácil, se você não domina, tudo parece difícil. Já viram um grande pianista, um bom pianista tocar? Agora, vai tocar você. Ele dá um exemplo numa comparação na segunda linha: “As those move easiest who have learn'd to dance”, quem aprendeu, aprendeu (ou seja, técnica, aprendeu a dançar) move-se de maneira mais fácil, elegante.

Diderot, num diálogo em O sobrinho de Rameau (cuja leitura eu recomendo), numa parte em que ele discute a educação das moças (as filhas) ele diz que fundamental é a dança porque a dança faz com que a moça ande de maneira elegante, com que seus movimentos sejam articulados. Isso já estava no Platão, na República, o Platão preconiza a ginástica e a música como elementos de harmonização, não só individual, mas também coletiva, do movimento. Então a dança é fundamental. O mesmo ocorre na literatura.

Vocês se lembram do poema do Bandeira? O que acontece? Ele sonha um soneto. Sonha um soneto. Imagina você sonhar um soneto. Aquelas regras, aquele trabalho, aquela métrica. Aquilo está tão introjetado que passa a fluir naturalmente sem que o esforço seja perceptível, mas há uma técnica, por isso é que flui naturalmente, não o contrário. Não é uma intuição platônica, a musa que baixa. É a técnica que de tanto estudada torna-se uma segunda natureza, uma pele do poeta. Ele passa a perceber os ritmos, as métricas, as sonoridades que mesmo parecendo acaso ou sorte, não é o acaso. Parece acaso, parece que é sorte, mas não é. Olhe só, o poema saiu inteiro, parece sorte. Mas o que que é? É técnica introjetada. Os dois poemas do Fernando Pessoa tematiza isso, o trabalho do poeta.

Para que isso ocorra, não é suficiente, não basta que o poema seja comedido, no original inglês, não é suficiente que o poema não tenha nenhuma aspereza que ofenda os ouvidos, que doa no ouvido, uma aspereza, uma rudeza que doa no ouvido, ou seja, não é suficiente que no poema a métrica seja seguida. Isso não basta. O que é necessário? “The Sound must seem an Echo to the Sense”, o som precisa parecer um eco do sentido, ou para o sentido. De que forma isso ocorre? O som como eco do sentido.

Soft is the Strain when Zephyr gently blows,

And the smooth Stream in smoother Numbers flows;

 

Maviosa é a música se branda inspira a brisa,

E em métrica mais doce o doce rio desliza,

 

O que ele está querendo descrever aqui? A brisa e o rio. A música para descrever a brisa não pode ser um rock estilo trash-metal. Isso não é brisa. “Soft is the Strain when Zephyr gently blows”, vocês ouvem a brisa aí. “And the smooth Stream in smoother Numbers flows”, o rio; a tradução é muito boa: “Maviosa é a música se branda inspira a brisa, E em métrica mais doce o doce rio desliza”, aliteração em sibilantes, c, s, e z. O som aqui serviu como um eco para o sentido.

Poemas que querem descrever assuntos, ou temas, ou objetos suaves não podem ter uma métrica e uma sonoridade interna que contrariem a suavidade do objeto.

 

But when loud Surges lash the sounding Shore,

The hoarse, rough Verse shou'd like the Torrent roar.

 

Mas se a varga vergasta o litoral plangente,

O verso rude e rouco ruge qual torrente.

 

A tradução é brilhante, porque pega a descrição do vagalhão, a onda que está batendo na praia, batendo nas pedras e está subindo. Como descrever essa imagem? “But when loud Surges lash”. O que é “lash”? Castiga com o vergalhão, chicoteia. Ele, o Pope, se utiliza de palavras que têm origens onomatopaicas: “lash”, “shore”, “rough”. Em português, palavras que tenham ressonâncias onomatopaicas, não onomatopéias em si, blém-blém, piu-piu, au-au, mas palavras com origem e ressonância sonora de onomatopéia: espancar, tinir, zunir, miar, quebrar, suave.

O que é interessante, e essa é uma teoria do Grammont (Grammont. M. Traité de Phonétique, Paris, Delagrave, 1933.) que vocês vão ver citado, não só pelo Antonio Candido, mas também pelo Alfredo Bosi, no capítlo 2 de O Ser e o Tempo na Poesia chamado O Som no Signo. Onde ele cita uma pesquisa feita pelo psicólogo chamado Wolfgang Köhler, ele fez um experimento psicológico com as seguintes figuras:

Uma delas se chama takete, a outra maluma.

Nesse experimento a absoluta maioria (acima de 95%) diz que a primeira se chama maluma e a segunda takete. Por quê? Não tem nenhuma explicação racional. Por quê? Parece que é possível sentir a sonoridade de uma palavra desconhecida. Identifica determinadas sonoridades com sentimentos e mesmo formas. Perceba a capacidade que as palavras têm de suscitar emoções pela sua própria disposição. Mas Saussere não diz que o signo em relação ao objeto é arbitrário? É arbitrário? Ser arbitrário não significa que seja completamente casual, não significa que não haja relações possíveis entre o som das palavras e os objetos que elas representam. À lingüística isso não interessa tanto, mas ao poeta interessa. O poeta vai à cata dessa sonoridade específica que gera sentimentos, gera tensões, gera imagens sonoras. Vai à cata do “Soft is the Strain”, vai à cata do “rude e rouco ruge qual torrente”. Ele busca isso para que o som seja um eco do sentido. O poema ganha uma força enorme com isso.

 

1 True Ease / in Wri / ting comes / from Art, / not Chance,

2 As those move easiest who have learn'd to dance,

3 'T is not enough no Harshness gives Offence,

4 The Sound must seem an Echo to the Sense.

 

É um pentâmetro jambico organizado em couplets, versos dois a dois com rimas marcadas. Isso aqui é apenas um trecho, não é uma estrofe, isso aqui segue páginas e páginas, mais de sessenta páginas com letra miúda.

A frase se adapta sintaticamente ao verso, primeira frase, uma vírgula, complemento, um ponto. Quando não é assim, ponto-e-vírgula. É o domínio completo da razão. Mas isso flui, porque se a pessoa tivesse que pensar a cada verso, ela não ia conseguir. Isso é introjetado de tal forma que a pessoa passa a sentir o pentâmetro jambico. E já organizar mentalmente a frase para que ela caiba nesse sentido.

Denny Marquesani