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Sua Empresa Já Cortou o Cafezinho?
Julio Lobos Embora um pouco menos afoitamente do que na crise ocorrida no período de 82/83, as empresas já deflagraram a mesma estratégia de contenção de despesas daquela época. Assim muitas já cortaram o cafezinho, estão demitindo trabalhadores não–essenciais e não tiram o olho do setor de treinamento, eterno candidato à forca. À medida que a recessão avança, talvez tenham que fazer tudo isso e muito mais. O que não deveria impedi-las, em todo o caso, de explorar outras abordagens de sobrevivência. Melhorando o retorno do investimento feito em marketing interno, por exemplo. Entende-se por marketing o processo pelo qual uma empresa coloca seus produtos e serviços num determinado mercado. Trata-se de um processo amplo e caro, uma vez que abrange desde a concepção dos produtos e serviços até seu atendimento pós-venda. E qual o retorno que a empresa obtém? Uma resposta mercadológica necessariamente compensatória, diriam os entendidos... ou ela sairia do negócio. Observe-se que em nenhum momento, no parágrafo anterior, é dito que o “mercado” é formado pelos consumidores dos produtos que a que a empresa comercializa. Isto seria óbvio? Nem tanto, porque o mesmo raciocínio mercadológico válido para o exterior da empresa o é também internamente. Neste caso, os empregados (e suas famílias) constituiriam o mercado e os produtos e serviços seriam todas aquelas coisas (ex.: remuneração, treinamento, benefícios e serviços sociais et cetera) utilizadas pela empresa para mantê-los trabalhando produtivamente. Também não foi explicitado anteriormente que o retorno do investimento em marketing tivesse de ser sempre medido em dólares de lucro ou crescimento de mercado. Porque isso seria tão-somente o caso do marketing externo. E no caso interno? Trabalho produtivo, em primeira instância. Mas a geração de um sentimento de bem-estar individual e coletivo, acima de tudo. E qual a magnitude do investimento que uma empresa faz para atender seu mercado interno? Sabe-se que a cada $ 1,00 despendido em salários, mais $ 1,00, pelo menos, é gasto por conta das leis sociais. Porém, o investimento em recursos humanos não se restringe a apenas esses $ 2,00! Se somarmos todos os benefícios que a empresa concede por conta da convenção coletiva aos que ela outorga voluntariamente, e agregarmos, a ambos, os serviços destinados a providenciar transporte, alimentação, assistência médica, treinamento, informação et cetera, chegaremos facilmente a um complemento de, no mínimo, mais $ 1,00. Ou seja, uma folha de pagamento adicional! E isto se considerarmos unicamente os custos ou despesas diretas... porque, se incluirmos também os metros quadrados ocupados, as linhas telefônicas alocadas, os salários de pessoal responsável pela administração de tudo isso e o tempo despendido pelos altos executivos com relação aos tais produtos e serviços, a conta pode vir a deixar mais de um diretor–financeiro de cabelo em pé. O que fazer com relação a isto? Otimizar o retorno dos benefícios e serviços que a empresa oferece internamente aos seus funcionários significaria, então, eliminar os que menos contribuíssem para a imagem da empresa? Não necessariamente. De fato, alguns poucos benefícios e serviços poderão ter esse destino, mas a maioria deles deverá permanecer –– a sua contribuição é que terá de melhorar. Como? Fácil: as alternativas são unicamente de três tipos: benefícios e serviços que justificam mudanças estruturais (ex.: um serviço de transportes que não presta, um posto bancário que não atende), outros que não precisam mudar, mas merecem ser melhor promovidos (ex.: uma cooperativa que não divulgou preços mais baratos que os do mercado) e ainda outros que precisam de ambas as coisas (ex.: um novo convênio de assistência médica). Concluindo, afirmo que, se a direção de uma empresa confrontar o investimento realizado na sua atual carteira de benefícios e serviços internos com a aceitação de que ela desfruta entre os funcionários, ela conseguirá: • No mínimo, saber em que consiste a tal carteira, quanto custa e para que serve (o que, por incrível que pareça, pode vir a ser um achado em empresas do melhor pedigree, pois até nelas se costuma gastar em benefícios e serviços “a fundo perdido”); • Provavelmente, eliminar alguns benefícios e serviços, absolutamente inúteis (e não necessariamente baratos); • Numa melhor hipótese, melhorar o retorno de outros benefícios e serviços que hoje em nada contribuem para a imagem interna da empresa e que, por definição, carecem de justificativa racional. E uma coisa é certa: dentre estes últimos, não se há de contar o cafezinho. ––––––––––––––––
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